A lenda da fícção científica explica que boas idéias vem da vontade de ser pago para não fazer nada.

Com dezenas de milhares de livros, contos, artigos e resenhas creditados a ele, o escritor de ficção científica Isaac Asimov pode ter sido um dos mais prolíficos criativos do século XX. Mas o que o autor de Eu, robô e A Fundação acredita serem os elementos mais importantes de um vida criativa? Isolamento, uma boa ética no trabalho, disposição para gastar tempo e dinheiro de outras pessoas?

Em um ensaio nunca antes publicado escrito em 1959, Asimov pondera sobre de onde grandes idéias - que mudam o mundo - realmente vêm. A importância de um trabalho ético sólido fala por si mesma, mas Asimov tece um forte argumento de que o isolamento é quase tão importante.

Sinto que até onde pautamos criatividade, isolamento é requerido. A criatividade de uma pessoa, em qualquer caso, é trabalhar continuamente nisso. Sua mente está embaralhando suas informações todo tempo, mesmo quando ele está insconsciente disso. (O famoso exemplo de Kekule trabalhando na estrutura do benzeno durante o sono é bem conhecido.)

A presença de outros pode inibir esse processo, uma vez que criação é constrangedor. Para toda boa idéia que você tem, têm centenas, dezenas de milhares de idéias tolas, que você naturalmente não chega a mostrar.

Mas isolamento não é o bastante. Asimov diz que o pior inimigo de uma pessoa criativa não é a distração, mas a culpa de estar desperdiçando o dinheiro de uma pessoa menos criativa.

Provavelmente mais inibidor que qualquer coisa é o sentimento de responsabilidade. As grandes idéias através das eras vieram de pessoas que não era pagas para terem grandes idéias, mas eram pagas para serem professores, ou agentes de patente, ou baixos oficiais, ou mesmo não são pagos. As grandes idéias vieram como questões periféricas.

Alguém se sentir culpado por não merecer o salário, por não ter uma grande idéia é a forma mais segura, parece para mim, de tornar uma certeza de que nenhuma grande idéia virá da próxima vez.

Para Asimov, então, criatividade no fim é ter todo o playground da mente para si mesmo: sem distrações, sem pessoas e sem responsabilidade, mesmo que isso signifique dar uma afrouxada. Então, na próxima vez que seu chefe te pegar trabalhando em seu projeto pessoal ao invés de uma planilha, não se sinta mal. Asimov aprova.

Este texto foi publicado originalmente em: http://www.fastcodesign.com

Leia o ensaio original (em inglês) aqui: (http://www.technologyreview.com/view/531911/isaac-asimov-asks-how-do-people-get-new-ideas/?utm_source=digg&utm_medium=email)