Os anos vêm passando e com eles, mesmo que a passos lentos, a consciência das pessoas vem se expandindo. Permitindo a percepção de diversas tensões sociais, inclusive a questão da participação feminina na sociedade. Os níveis imensos de participação tanto produtiva quanto em tomada de decisão. O ano começou com a constatação que já estava no ar: “A mulher solteira é a maior potência política dos EUA.”

Se pararmos para pensar, é verdade para grande parte dos países, Brasil incluído. Como em outros casos de minorias, a minoria é mais uma característica da representação que da quantidade de pessoas. Quadro que finalmente vemos mudar, não que os casos de assédio, abuso moral e outros tantos momentos de tensão entre gêneros tenham deixado de acontecer. O que mudou mesmo - e muito - foi a visibilidade dos casos. E, principalmente, a postura de quem vê. Quem trabalha com Social Media, provavelmente ouviu a história acontecida no Quitandinha, em São Paulo, e sua repercussão nas redes. Hoje, alguns de nós nos indignamos e muitos percebem os absurdos, mas ainda existe quem acredite ser tudo mimimi. O mimimi, ou frescurites, aí estão para estereotipar e diluir esforços de discordantes, geralmente mulheres ou minorias. Quando uma equipe de atendimento é permissiva ao invés de crítica, as pessoas olham umas para as outras e chegam ao consenso #vamosfazerumescandalo.

Uma das máximas do ciclo de atendimento de qualidade da Disney é: “o guest nem sempre tem razão, mas ele nunca deixa de ser o guest”. Esta atenção é a diferença entre um cliente mimado e um cliente bem informado e bem atendido. Os aspectos humanos do atendimento são o outro lado da moeda de um atendimento viciado e nos colocam exatamente no ponto em que começamos o texto. O que acontece a partir do momento em que nos colocamos frente a frente com as situações em que temos de julgar de fato? O que é a coisa certa a se fazer? Repetiremos os preconceitos pessoais ou institucionais? Será que as mulheres solteiras dos EUA elegerão Donald Trump?

Ver a gritante diferença de salários entre homens e mulheres e gente dizendo com todas as letras que assim deve ser, sinceramente, me desconecta do momento histórico. Meu sustento por grande parte da minha vida veio dos salários de uma mulher negra (adiciono negra por influir no salário e uso salário no plural por um só não ser suficiente). Até a adolescência não entendia como ela trabalhava tanto em um campo no qual era tão notoriamente melhor que os concorrentes e ainda assim recebia menos. Não descobria a resposta por esta não ser lógica: as mulheres ganham menos. Nesse campo precisamos de igualdade, nos outros gostaria que todos nós homens atingíssemos o nível de reverência às mulheres do sábio Mago de Marion Zimmerman.

"Viu a irmã e Merlim trocarem um olhar e percebeu também o pequeno gesto com que a sacerdotisa silenciou o velho.

  • Não, Merlim, isso deve ser dito de mulher para mulher..."