A Nascente do Propósito

== Uma conversa com Prem Baba da qual não participei.==

São Paulo, 07 de maio de 2017, 18:02, Instituto Tomie Ohtake. Palestra com Prem Baba lotada no auditório e no mezanino recém aberto, para abrigar um maior público. O andar inteiro tomado por centenas de pessoas na expectativa de participar da conversa. Avaliamos a situação. Possibilidade de chegar ao térreo pela multidão: zero. Subimos até o terraço e encontramos além de um vento acolhedor, embora frio e um show que começava timidamente. Um ambiente efervescente de ideias, criatividade, narrativas e sonhos; do parapeito a megalópole se estendia indiferente até o horizonte em todas as direções.

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Baba no Path - Uma conversa sobre propósitos

Lastros, a conversa que não assisti, naquele dia. Foi sobre lastros, ancoras, bases. Prem Baba nos explica em poucas palavras que tudo o que trazemos para este mundo externo, só nos nutre e tem valor, se houver um lastro interno, de amor.

E explica que esse lastro interno, é com o seu propósito, um fazer com o qual sempre estivemos ligados. Aquilo que nos faz avançar, aquelas coisas que de pensar nossos olhos brilham e as memórias desse fazer que brotam desde os recônditos da infância nos banhando de inspiração.

E o quanto isso é uma luta contra a normose - sim ele usa essa palavra, é lindo - porque a nossa verdadeira prisão é a normalidade. Existe qualquer valor em estar mergulhado no oceano de mediocridade do normal? Embora não exista uma resposta racional e positiva para essa pergunta. Como tanta gente tolhe sua própria expressão em favor da insipidez? É a pergunta que cala.

Calando o Baba nos propõe a resolução deste dilema, a conversa na verdade começou com um momento de silêncio. Ele explica que o silêncio nos permite ouvir nosso corpo e espírito. Só a audição de nosso mundo interno, permite que doemos ao mundo nosso verdadeiro eu. Nosso propósito interno. Essa me parece ser a mensagem mais poderosa, quando se encontra essa amplitude interna. As portas se abrem e o fazer - primeiro e espontâneo - ao retornar: nos permite reconhecer a nós e as coisas que fazemos, um em acordo com o outro. Sua realização externa tem um lastro interno, logo é plena.

Lembrei imediatamente de Maslow e Lowen. Ambos sempre se mantiveram firmes na noção de que realização está no prazer de criar. Um mostrando as formas como restringimos nossos movimentos e expressões impedindo a espontaneidade e o prazer, o outro através da identificação dos fatores prioritários no desenvolvimento humano. Prem Baba sintetiza esses conceitos com olhar de criança por trás da imensa barba.

Em outro texto desta série, falei sobre o amor em SP...aquele velho papo. E foi justamente nesse aspecto que encontrei as pessoas que estavam imersas no que faziam gerando um claro ganho social, espontâneo.

Jairo Moreira, Ana Júlia Ghirello, Enricco Benetti e muitos outros, pessoas que estão deixando um legado lastreado na realidade que vivem e que são uma doação desde o início, calma não é de graça. Embora devolva algo a todos os envolvidos, lê a Ryana Leão para entender.

A verdadeira autenticidade acontece na busca por si mesmo, uma vez dentro em estado de graça, flow, mindfullness, presença total… o nome não importa. Quando estiver sendo realizado naturalmente você percebe a nascente, quando a linha entre o sujeito e o objeto se dissolve a realidade é banhada pelo frescor do valor real lastreado.

P.S.: Dizem que as coisas da vida começam doces e terminam amargas, ou vice e versa. A experiência no Festival Path seguiu esse padrão espero que estes textos o sigam também. Fomos praticamente tragados para a primeira palestra. Além desta a única que nosso grupo assistiu reunido nos questionava sobre a possibilidade ou não do amor entre maquinas e homens e vice e versa. A conversa nos deixou em suspenso, inconclusiva.

Este foi nosso principal feedback negativo.
Em segundo plano foi o fator que nos colocou na primeira conversa em que participamos, e que não percebemos de cara. O que acontecia é que eram aproximadamente uma centena de palestrantes, em pontos relativamente afastados, sem linhas temáticas definidas. Ficamos bem perdidos durante todo o primeiro dia. E na noite daquele dia decidi concentrar minha atenção em educação, desenvolvimento pessoal e comunicação. Foi quando comecei a entender a mecânica.

O Festival Path foi magnífico e ficam os parabéns e as dicas para o pessoal do PandaCriativo:

  • Criar trilhas específicas para as áreas que serão abordadas.

  • Informar em tempo real a lotação de cada sala, evitando que o público espere e não possa assistir.

Nos três textos que seguem deixo o que mais me marcou entre todas as conversas que participei e sobre uma em que eu não estava.