Gestão Horizontal

O que os grandes têm a aprender com os pequenos.

Um dia a exemplo de exércitos e reinos, tornamos também a gestão vertical, percebendo - na era da complexidade - que a centralização de informação e decisão ao sobrecarregar alguns, isola outros. Que o modelo predatório baseado em estratégias bélicas funciona até certo ponto. Chamamos as cidades de selvas, omitindo que estas funcionam em complexos sistemas de cooperação, nutrindo e trocando bem mais. Disputando e predando, muito menos.

O importante são as bases, é básico. Hoje esse pessoal de quem sou fã está ensinando as grandes organizações cristalizadas na verticalidade o horizontal, meus olhos só fazem brilhar.

Você só percebe quem são os novos PopStars quando se sente tiete. E assistindo a palestra sobre Gestão Horizontal da Ana Júlia Ghirello com o Mario Kaphan meus olhos faiscavam. Ela é uma das criadoras do abeLLha que me ganhou com estes dois parágrafos, há mais ou menos um ano:

"Durante esse processo ninguém mencionava quem iria executar ou quais seriam seus cargos. A gente tava preocupado em listar tudo o que era essencial pra abeLLha evoluir e não com que título cada um deveria ter, afinal, o mais importante era ter agilidade pra adaptar e clareza pra executar — o que quer que fosse.

Foi só depois que começamos a escolher que responsabilidades cada um queria peitar, o quanto éramos hábeis para tais responsas e o quanto nos sentíamos motivados para sermos responsáveis por cada tarefa. Ninguém selecionava o outro pra nada, cada um escolhia o que queria."

O Mário já me tinha ganho executando um dos meus sonhos de adolescente, uma plataforma on line que liga quem quer contratar e quem precisa de emprego. Ainda fazem isso em uma organização horizontal com 160 colaboradores. Onde as decisões são tomadas por consenso, é integração e intenção direcionada.

Vagas.com

O que em ambos os casos ficou claro, a partir da conversa com os dois, que é sempre uma questão de liberdade e responsabilidade. As tarefas são executadas por quem tá afim de peitar. Querer uma tarefa é o que mais dá certo, em termos de execução.

A forma como o abeLLha foi concebido foi organizada no HoneyComb - onde os dois parágrafos curtinhos da Ana Júlia foram sistematizados. Um grupo simples de tabelas, em que podemos ver nossos propósitos, metas e métodos. Assim como o ‘dono’ de cada atividade. Permitindo transparência, controle e escolha.

Este é o abeLLha fuçando lá, você vai encontrar a planilha do HoneyComb, depois você agradece.

Sempre me disseram que uma boa idéia pode ser explicada em cinco minutos. Esses dois parágrafos explicaram tudo, pelo menos para mim, e mudaram minha visão de gestão como a Estratégia do Oceano Azul fez há alguns anos. Gerando aquela compreensão cooperativa que começou este texto. Brigar por mercados existentes é uma decisão de ego - cara e geralmente desnecessária. Um grupo reagindo racionalmente ao mercado estará criando novos públicos e mercados, é natural.

Hoje Cultura e Clima organizacionais se sobrepõe criando - uma atmosfera - a parte viva das organizações. A era da receita de bolo no modelo de negócio perdeu força, funciona lá e eles são eles. Aqui as coisas são diferentes, hoje réplicas não funcionam. A complexidade do sistema nos convida a abordar, mesmo em organizações menores, as decisões a partir de um número maior participantes e enfoques, possibilitando um aumento das respostas possíveis para os cenários projetados, gerando confiança e flexibilidade.

Quando explicamos isso para a maioria das pessoas parecemos viajantes do tempo. Ensinando a assar tijolos, enquanto os caras se organizam para procurar pedras. O gap a ser fechado é: Sair do 'eu falo vocês fazem', partir para o 'nós faremos'.

Como Ana Júlia me disse ao responder minha pergunta:

“Você precisa saber que agulha você quer mexer, depois é só descobrir as ações necessárias para que ela se mova”

É simples a ponto de parecer brincadeira, mas acredito ser a coisa mais séria que aconteceu nos últimos anos. As pessoas ganham o poder de organizar sem “mandar” alguém fazer qualquer coisa, são as pessoas buscando o melhor caminho para desenvolverem o negócio do qual fazem parte.

Longe de tirar a pressão, parece aumentar.

O que acontece é visibilidade e transparência. Todos sabem o objetivo da etapa em que estão e o que está em jogo. Vendo o todo, fica fácil perceber: É fazendo que as coisas acontecem. Não que seja fácil, mas não deixa de ser maravilhoso.